Fenômeno no Brasil, Anitta ainda luta para se consolidar internacionalmente

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A garota de Honório Gurgel é, indiscutivelmente, um fenômeno no Brasil. Prova disso é que a fama na música extrapola os charts. Mais do que uma cantora de sucesso, Anitta é uma marca altamente rentável. Conforme reportagem da revista Veja publicada no início do ano, a poderosa fatura no mínimo 5 milhões de reais em uma campanha nacional em TV. Se o cachê pago à artista corresponde a esta bagatela, imagine o retorno financeiro que ela é capaz de gerar para as empresas que a contratam? Mas, e no exterior? Anitta já é uma artista consolidada? A pergunta divide opiniões.

Antes de entender se a poderosa brasileira já é um nome forte fora do país, é preciso fazer um breve resgate histórico dos pontos centrais da empreitada internacional da artista, considerando uma trajetória de sucessos (expressivos e medianos) e também os trabalhos que fracassaram na tentativa de capitalizar novas audiências.  

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Consolidada no Brasil e pensando no que poderia fazer após já ter dominado o mercado nacional, a estrela pop deu início, oficialmente, à carreira internacional, em maio 2017, com o lançamento de “Paradinha”. O single solo em espanhol permaneceu por cerca de 70 dias no Top 200 do Spotify Global, além de figurar por 43 dias em 1° lugar no Brasil. A música ainda colocou Anitta nos charts de outros 11 países, e o clipe alcançou 6 milhões de visualizações nas primeiras 24 horas.

No mesmo ano, em novembro veio “Downtown”, em parceria com J Balvin. Conforme a própria artista, sua gravadora não apostava no sucesso do single. Mas o fato é que a música agradou o público, e a presença do astro colombiano no dueto, certamente, foi um fator decisivo para ajudar a colocar a Anitta no mapa dentro do cenário latino. No Spotify, Downtown entrou no Top 200 de 50 países e atingiu o posto de 19ª música mais ouvida no mundo.

Em 2018, a cantora ainda estreou como coach no programa “La Voz México”, transmitido em horário nobre pelo maior canal de TV do país, a Televisa. Líder de audiência na TV mexicana, a participação de Anitta na atração também contribuiu para apresentá-la em profundidade neste novo mercado.

Neste mesmo ano, foi lançada Medicina, que teve um desempenho muito superior em relação à primeira canção solo em espanhol da artista. Com um clipe megaprodução, o single entrou nos charts de todos os países da América Latina e obteve no exterior uma média de 300 a 350 mil execuções no Spotify por dia durante, aproximadamente, dois meses. Por fim, Anitta foi indicada ao Latin American Music Awards e levou o prêmio de Melhor Vídeo com esse trabalho.

Posteriormente, em 2019, Anitta brindou seu público com uma overdose de colaborações internacionais que integraram faixas de álbum e/ou singles de outros cantores, mas que, em sua maioria, não receberam investimento de mídia dos respectivos artistas. Quase todos os trabalhos não tiveram impacto expressivo nos charts.

No entanto, muitas dessas colaborações que não vingaram eram aguardadas pelos fãs com grande expectativa, sendo consideradas promessas de novos hits. Dentre elas, destacam-se “Muito Calor”, com Ozuna; Fuego, com DJ Snake, Sean Paul e Tainy; e Pa’Lante, com Alex Sensation e Luis Fonsi. Vale lembrar que nem mesmo o dono do hit global Despacito conseguiu fazer o reggaeton dar sinal de vida nas plataformas de stream.

Salvando 2019, Anitta colocou dois grandes sucessos internacionais na bagagem. Um deles foi R.I.P. O single da mexicana Sofia Reyes teve ainda a participação da hitmaker britânica Rita Ora. Por pouco, a música não estreou na Billboard Hot 100.

O outro destaque do ano passado foi “Bellaquita Remix”. Com forte apelo sexual, a faixa reúne um número recorde de artistas em uma só música. Além de Anitta, a regravação do single do cantor Dalex conta com os vocais de Lenny Tavárez, Natti Natasha, Farruko e Justin Quiles. A faixa teve um desempenho muito superior nos charts em comparação à música original. Uma semana após o lançamento, o remix bateu ponto no Top 50 do Spotify em 15 países e por lá permaneceu por seis meses consecutivos.

Em abril de 2019, Anitta apresentou seu quarto álbum, sendo o primeiro trilíngue. Ao todo, dez músicas, todas com videoclipe, foram lançadas no mesmo dia e horário. Internacionalmente, o trabalho não teve sucesso de público, mas ganhou a atenção da crítica internacional especializada.

O jornal britânico The Guardian deu três de cinco estrelas para “Kisses”. Já a prestigiada revista NME fez uma avaliação um pouco mais positiva e concedeu quatro estrelas para o trabalho. O álbum também foi indicado ao Grammy Latino 2019 na categoria “Melhor Álbum de Música Urbana”.

Os veículos britânicos NME e The Guardian (Foto: Reprodução)

Em julho deste ano, Anitta veio com outro single em espanhol, Tócame. Lançado em parceria com Arcangel & De La Ghetto, este foi o primeiro trabalho da cantora após assinar contrato com a gravadora norte-americana Warner Records. Mesmo a faixa sendo adicionada em mais de 20 playlists no Spotify, o single não emplacou em nenhum país. A cantora ainda fez uma performance no talk show norte-americano “The Late Late Show with James Corden”, que também não foi capaz de fazer a música alçar voos maiores. A qualidade da apresentação, aliás, dividiu opiniões na web.

De janeiro a dezembro de 2019, Anitta recebeu 860 milhões de views do exterior em seu canal no YouTube. Conforme dados atualizados por meio do YouTube Music Charts, no mesmo período em 2020 a cantora obteve 500 milhões. Uma drástica redução em relação ao ano anterior explicada, em grande parte, pela pandemia de Covid-19 que atrapalhou toda a agenda internacional da cantora programada para este ano. Estes números, porém, – diluídos ao longo de 12 meses e comparados com outros artistas latinos de renome internacional – ainda são inexpressivos, embora indiquem que a cantora brasileira já seja um nome conhecido fora do Brasil.

De modo geral, o nome/marca “Anitta”, por si só, ainda não tem força nos charts internacionais – nem mesmo no segmento latino – para garantir à artista um sucesso minimamente expressivo no lançamento de um single solo. As músicas de maior impacto internacional da cantora seguem sendo as colaborações com gigantes da indústria fonográfica no exterior. Mas, mesmo assim, Anitta avança pouco a pouco e tem conquistado feitos históricos ao quebrar a barreira cultural posta pelo idioma (português) e que separa o Brasil do restante da América Latina.

Fechando 2020, ela cantou trechos de “Mas Que Nada”, de Jorge Ben Jor, e “Me Gusta”, último single de trabalho gravado em parceria com Cardi B e Mike Towers, na cerimônia principal do Grammy Latino 2020. Com a rapper em alta no mercado norte-americano, o single de Anitta fez sua estreia na 91ª posição da Billboard Hot 100, a parada de música mais importante dos Estados Unidos. Talvez, um desempenho mais a altura da força de Cardi B nos EUA só não tenha sido possível devido à brasilidade de Me Gusta, com a aposta em um ritmo musical não comercial no mercado norte-americano.

Vale lembrar que Anitta ainda foi a única brasileira indicada com uma música em português, Rave de Favela, na categoria de “Melhor Música Urbana” do Grammy Latino deste ano. Os vencedores, porém, foram a cantora espanhola Rosalía e Ozuna, com a parceria “Yo X Ti, Tu X”.

O próximo passo, agora, é o lançamento do álbum internacional “Girl From Rio”, que está previsto para 2021. Se a coletânea terá ou não impacto expressivo nos charts internacionais, ainda é uma incógnita. A única certeza é que Anitta segue firme em seu objetivo de levar o Brasil para o mundo.

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