A cantora fluminense Anitta (FOTO: Reprodução)

COLUNA DROPS

(Por Fernando Berenguel)

Desde que o Brasil é Brasil alguns dos hobbies favoritos nacionais são o futebol, a feijoada e curtir o Carnaval. Contudo, nos últimos anos, mais precisamente desde o ano de 2013, outra atividade costumeira passou a fazer parte da rotina de muitos e muitos brasileiro: falar mal de Anitta.

Após surgir com a provocativa Show das Poderosas há sete anos, a marca representada por Larissa de Macedo Machado apresentou taxas de crescimento de causar inveja em gráficos empresariais. Até hoje, muita gente não entende como as curvas da funkeira de 1,62 cm de Honório Gurgel possibilitaram tantas curvas de crescimento na música, moda, desenhos infantis, bebidas alcoólicas, moda íntima e outros setores. Tudo isto, até que chegasse a prova de fogo das eleições de 2018.

Ali, o trinômio da favelada-feminista-simpatizante se sentiu pressionada por diferentes setores a se manifestar a respeito da doutrina X ou Y. Tão acostumada a cruzar planos cartesianos e agitar trajetórias gráficas de maneira ascendente, ali o corpo escultural habitualmente em movimento decidiu entrar em repouso. Na verdade, um silêncio ensurdecedor que lhe custou contratos e credibilidade junto ao público e anunciantes.

A mesma zona de conforto, aliás, já adotada exaustivamente por tantas outras variáveis musicais brasileiras como Ivetes, Sandys e Claudias. Mas para aquele ícone da representatividade pegou realmente muito mal: fãs se sentiram traídos e usados, enquanto anunciantes identificaram uma clara crise de imagem e na identidade da marca. Tudo isto, até que chegasse a prova de fogo da pandemia.

Profissionais sem atividade, shows paralisados, um governo negacionista e um momento onde a antiga máxima ficou tão óbvia: os que não se interessam por política serão governados pelos que se interessam. Junto de ativistas das mais diferentes áreas, Anitta resolveu se movimentar e se assumir como uma espécie de filósofa da política (“só sei que nada sei”).

Passando a conversar de maneira didática sobre assuntos como igualdade de oportunidades, racismo, pandemia, meio ambiente e direitos autorais, Anitta foi de longe, a artista de peso na mídia, mais prolífica da pandemia. Ah, e com os bônus das aulas de francês e malhação para quem quisesse aprender e ensinar. Assim, o Instagram de Anitta também acabou se tornando uma espécie de classificados, com tudo um pouco e onde profissionais que procuravam encontraram profissionais que ofereciam.

Não é exagero afirmar que as lives engajadas e todos os últimos protestos semanais de Anitta e outros artistas contra o governo de Jair Bolsonaro são quase como um ponto de virada na história recente do showbiz nacional. Taylor Swift, de origens conservadoras do country norte-americano e que representa o maior player do mercado estadunidense, diante do tão controverso governo de Donald Trump acabou finalmente saindo de cima de muro e anunciando sua adesão às pautas de Joe Biden. Especialistas de mercado apontam que o artista atual, alçado a condição de ídolo, agora tem que representar os anseios e valores daquele que ele diz representar e que muitas vezes, foi quem o colocou em tão privilegiada posição. Novos tempos. Pena que muito cantor ainda siga desafinando feio.

VAI BUSCAR VACINA

Em uma das suas últimas lives, Ivete Sangalo, desfalque notável na atual temporada do The Voice, optou por brincar com a demora pela saída da vacina do coronavírus. Mesmo com especialistas em ciência apontando que o desenvolvimento de tal medicamento já é um dos mais rápidos da história da humanidade. Será que ninguém avisou a cantora que tem uma turma no comando do país que está barrando os avanços da vacina por aqui? Ou melhor contar eu?

DESCE PRO PRÊMIO

O cantor MC Zaac que despontou no showbiz nacional se inspirando em Cely Campelo, ganhou ontem à noite com o clipe de “Desce pro play (Pa Pa Pa)”, a categoria ‘BEST ARTISTC PERFORMANCE” no Los Angeles Internacional Music Video Festival (LAMV), considerado um dos mais importantes festivais brasileiros no exterior.

Gravado remotamente com poucas locações internas pelo trio de cantores, o clipe da faixa deu uma verdadeira aula na pandemia de como um vídeo de qualidade pode ser gravado obedecendo à risca as normas de distanciamento. O single de Zaac em parceria com Anitta e Tyga foi lançado em junho e acumula dados de performance impressionantes – mais de 116 milhões de visualizações do clipe no Youtube, 272M de streams em todas as plataformas de streaming e presença nas playlists de diversos países.

FUNK PRA CHINÊS VER

O app chinês de vídeos curtos Zapee, uma espécie de TikTok tem encontrado repercussão entre funkeiros. Com 10 milhões de instalações na Google Play, o aplicativo viu o número de funkeiros que buscam parcerias aumentar consideravelmente desde o início da pandemia em março. “Somos um aplicativo novo, então, era raro ter nomes conhecidos. Hoje temos MC Marks, MC Paulin da Capital, MC Lipi, MC MM, MC Lya, MC DR e MC RD, entre outros, com perfis no nosso aplicativo, postando vídeos todos os dias”, conta a gerente Erin Tse.

A curadora de conteúdo da empresa chinesa baseada em Shenzhen, mal sabia o que era funk. Hoje, mesmo estando do outro lado do mundo, e sem falar português, acompanha diariamente os últimos lançamentos dos maiores MCs do Brasil. Com foco em manifestações culturais da periferia brasileira, o app de vídeos tem planos de aumentar representatividade do forró, arrocha e piseiro.

Imagem da captura de tela

E POR HOJE É SÓ

Se o funk brasileiro está em seu melhor momento no mundo desde sua criação na década de 80 alguém sabe a razão dos nossos funkeiros insistirem em fazer trap norte-americano? Alguns com melodias realmente fracas e sem qualquer possibilidade de ressoarem fora de suas bolhas. A boa e velha síndrome de vira-latas? Ou somente curiosidade mesmo?

É isso! E eu vou ficando por aqui!

Abraço e boa semana!

(Fernando Berenguel)

(Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha e opinião do site e do portal UOL)