kurt cobain
O cantor norte-americano Kurt Cobain (FOTO: Reprodução)

Vinte e seis anos depois do trágico acidente, ninguém está querendo comprar a casa que pertenceu ao roqueiro Kurt Cobain. De acordo com um funcionário da imobiliária que toma conta das negociações de venda do imóvel, que fica nem Seattle, Washington, o espírito do artista estaria assombrando o local.

A empresa Ewing & Clark Inc colocou à venda a antiga mansão do antigo vocalista da banda Nirvana, mas vem sendo muito difícil de encontrar um comprador. Segundo informações de uma publicação feita pelo Radar Online em novembro, um corretor imobiliário falou: “É difícil de vender, muitas pessoas acreditam que o espírito dele ainda ocupa este lugar”.

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Vale lembrar que Courtney Love contou, numa entrevista à Interview Magazine, que mesmo após a demolição do local da casa onde Kurt se suicidou, o roqueiro ainda permaneceria de alguma forma no local: “Quando eu me mudei para Hancock Park, de Seattle, por algum momento eu vi o Kurt numa cadeira. Naquele instante, ele me disse ‘oi’ e foi embora”.

A mansão foi comprada pelo casal Love e Kurt Cobain em 1994, mesmo ano em que o músico tirou sua própria vida. O imóvel foi vendido, pela primeira vez, em 1997.

Haunting Secrets
Photo Credit: Seattle Police/MEGA
Moving On
Photo Credit: Seattle Police/MEGA
Kurt Cobain’s Haunted Death House Scares Off Buyers
Photo Credit: Seattle Police/MEGA

Um dos intérpretes mais memoráveis da história do rock cometeu suicídio aos 27 anos de idade. O líder do Nirvana escreveu em seus diários que decidiu tirar sua própria vida para escapar de uma “repugnante” doença no estômago.

Cobain também revelou que tinha sido levado ao vício em heroína pois a droga lhe ajudava a aliviar as dores de estômago, de acordo com trechos de seu diário que foram publicados inicialmente na revista norte-americana Newsweek.

O músico ainda deixou ainda uma carta de despedida presa num vaso de flores, ao seu lado. No texto, ele narra sua solidão e problemas de relacionamento possivelmente causados por depressão, excesso de drogas e álcool. 

A cópia da carta de que a viúva de Kurt, Courtney Love, apresentou após suas morte (Foto: Reprodução)
A cópia da carta de que a viúva de Kurt, Courtney Love, apresentou após suas morte (Foto: Reprodução)

Veja abaixo, em tradução livre, a íntegra da carta de despedida de Kurt Cobain

Falo como um simplório homem com experiência que obviamente preferia ser uma criança castrada e reclamona. Este bilhete deve ser bastante fácil de entender. Todas as advertências das aulas de Introdução ao Punk Rock ao longo dos anos, desde minha apresentação à, digamos, ética envolvida na independência e o acolhimento de sua comunidade, se provaram verdadeiras. Eu não tenho sentido a excitação de ouvir, bem como criar música, juntamente com a leitura e a escrita, faz muitos anos. Eu me sinto culpado por essas coisas além do que posso expressar em palavras

Por exemplo, quando estamos atrás do palco e as luzes se apagam, e o ruído ensandecido da multidão começa, isso não me afeta do jeito que afetava Freddie Mercury, que parecia amar, se deliciar com o amor e adoração da multidão, que é algo que eu admiro e invejo totalmente. A verdade é que não consigo enganar vocês, nenhum de vocês. Simplesmente não é justo nem com vocês nem comigo. O pior crime que posso imaginar seria enganar as pessoas sendo falso e fingindo como se eu estivesse me divertindo 100%. Às vezes eu sinto como se eu tivesse que bater o cartão de ponto antes de subir ao palco. Eu tentei tudo ao meu alcance para gostar disso (e eu tento, por Deus, acreditem em mim, eu tento, mas não é o suficiente). Eu gosto do fato que eu e nós atingimos e dirvertimos um monte de gente. Devo ser um daqueles narcisistas que só dão valor as coisas quando elas se vão. Sou muito sensível. Preciso ficar um pouco dormente para ter de volta o entusiasmo que eu tinha quando criança.

Nas nossas últimas três turnês, eu tive um apreço muito maior por todas as pessoas que conheci pessoalmente e pelos fãs de nossa música, mas eu ainda não consigo superar a frustração, a culpa e a empatia que eu tenho por todos. Existem coisas boas dentro de todos nós. Eu acho que simplesmente amo demais as pessoas e isso me deixa muito triste. O pequeno, sensível, insatisfeito, pisciano, Jesus triste. “E por que você simplesmente não aproveita?” Eu não sei.

Eu tenho uma deusa como esposa que transpira ambição e empatia e uma filha que me lembra demais como eu costumava ser, cheia de amor e alegria, beijando cada pessoas que ela encontra porque todos são bons e ninguém a fará mal nenhum. E isso me apavora ao ponto de eu mal conseguir funcionar. Eu não posso suportar a idéia de Frances se tornar um triste, autodestrutivo, e mortal roqueiro, como eu virei.

Eu tive muito, muito mesmo, e eu sou grato por isso, mas desde os sete anos, passei a ter ódio de todos os humanos em geral. Apenas porque parece tão fácil para as pessoas que tem empatia se darem bem. Apenas porque eu amo e lamento demais pelas pessoas, eu acho.

Obrigado do fundo do meu ardente e nauseado estômago por suas cartas e preocupação nestes últimos anos. Eu sou um bebê errático e triste! Eu não tenho mais a paixão, e por isso lembre-se, é melhor queimar de vez do que se apagar aos poucos. Paz, amor, empatia. Kurt Cobain“.

A CARREIRA DO NIRVANA

A popularidade de Kurt Cobain veio com a meteórica ascensão da banda e o lançamento do segundo disco em estúdio, Nevermind, gravado no ano de 1991. O disco chegou a vender 24 milhões de cópias mundialmente.

O grupo estreou na carreira com o disco Bleach e seu álbum de despedida foi o In Utero, lançado há 25 anos. Além de Cobain, o grupo era também era composto por Krist Novoselic (baixo) e Dave Grohl (bateria). O Nirvana chegou ao término depois da morte de Cobain. Confira cinco dos seus maiores sucessos abaixo além do álbum “Unplugged MTV In New York” cuja apresentação comemorou 25 anos no ano passado:

Suicídio

O suicídio é considerado pelo Ministério da Saúde como um problema de saúde pública, complexo, multifacetado e de múltiplas determinações, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero.

Todos os anos, cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio no mundo, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde). No Brasil, uma pessoa morre por suicídio a cada hora, enquanto outras três tentaram se matar sem sucesso no mesmo período.

O assunto é tão complexo que muitas pessoas evitam falar a respeito, o que nem sempre é a melhor decisão. Um problema dessa magnitude não pode ser negligenciado, pois sabe-se que o suicídio pode ser prevenido. Uma comunicação correta, responsável e ética é uma ferramenta importante para evitar o efeito contágio.