evanescence
A banda norte-americana Evanescence (FOTO: Reprodução)

Amy Lee, vocalista do Evanescence, falou sobre o machismo presente na industria musical e como isso afetou diretamente a banda.

Ela contou, em entrevista para o The Forty Five, que hoje em dia se sente aberta para falar sobre esses assuntos: “Eu finalmente tive que mudar minha regra. Eu nunca, nunca, nunca falei sobre política antes. Eu sinto que o que estamos enfrentando agora é algo que envolve todos”.

“Quanto mais a verdade está em seu rosto, menos podemos ignorá-la como raça humana e como sociedade. A maneira mais clara e direta de ajudar a promover a mudança é promover a verdade”, disse.

VEJA TAMBÉM: Contrária a Trump, Halsey conversa com Bernie Sanders sobre erradicação de bilionários

Lee ainda falou sobre a sensação de ser uma das únicas mulheres no rock mainstream nos anos 2000 e não poder fazer nada pra mudar a situação na época: “Uma palavra que senti ressoar muito na minha cabeça no início foi ‘diva’. É assim que eles te mantêm para baixo, fazendo você se sentir como se estivesse sendo exigente”.

Ela ainda acrescentou que nos bastidores também não haviam mulheres e que os homens sempre falavam por ela: “Minha única voz quase sempre veio de um filtro masculino”.

E não foi diferente no maior sucesso do Evanescence, Bring Me To Life, que não foi lançada de acordo com as expectativas de Amy Lee. A vocalista afirma que não estava em seus planos ter Paul McCoy como participação na canção.

A ideia da gravadora de colocar o cantor na faixa, foi na intenção de o público poder “assimilar” melhor ou soar familiar. E isso não aconteceria em uma música gravada inteiramente por uma mulher.

“O fato de que era uma mulher e um piano que começavam a faixa era demais. [risos] Eu tive que pensar que perderíamos nosso contrato por isso porque eu disse não. Eventualmente chegamos no acordo de fazer isso em apenas uma música e ele poderia ser um vocalista convidado”.

E continuou: “Isso foi muito difícil pra mim porque eu tive que começar com a nossa primeira música já sentindo que eu havia feito um sacrifício a minha arte”.

Em 2017, o Evanescence lançou o álbum Synthesis, que contou com uma versão “solo” da canção e ainda trouxe uma vibe totalmente diferente – e já conta com mais de 5 milhões de streamings.

Já a versão original de Bring Me To Life, lançada em 2003 e presente no álbum Fallen, conta com mais de 1,5 bilhão de stremings. Curiosamente, Paul McCoy não é creditado na canção.