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O astro norte-americano Elvis Presley (FOTO: Reprodução)

Bob Dylan sempre deixou clara sua adoração por Elvis Presley, uma figura que indiretamente lhe deu a confiança para ir atrás de seu sonho e o fez acreditar que tudo era possível. Quando O Rei faleceu tragicamente em 1977, Dylan sentiu a perda com mais força do que a maioria e, embora ele tivesse encontrado o seu ídolo em diversas ocasiões antes da sua morte, a dor que ele sentiu o deixou incapaz de falar durante uma semana inteira.

Elvis foi uma das primeiras influências de Dylan. Ouvir ‘Hound Dog’ pela primeira vez na rádio quando criança seria um momento crucial que o introduziria no mundo do rock ‘n’ roll. A partir desse dia, ele sabia que queria imitar o Presley.

Mais tarde, ele lembrou desse momento decisivo para sua vida: “Quando ouvi pela primeira vez a voz de Elvis Presley, apenas soube que não ia trabalhar para ninguém e que ninguém ia ser meu chefe. Ouvi-lo pela primeira vez foi como fugir da prisão”, declarou Dylan de forma comovente.

Aquela criança que ouvia ‘Hound Dog’ não só se tornou uma estrela, como o próprio Rei chegou a gravar um cover de sua música, ‘Tomorrow Is A Long Time’. Supostamente, Elvis teria se encantado pela versão de Odetta da canção, gravada antes mesmo da versão do próprio Dylan. Mas, o feito diz muito sobre a capacidade de Dylan como compositor.

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Foto: Reprodução

Dylan adorou a gravação de Elvis e mais tarde descreveu-a como “a que eu mais aprecio”, revelando também que era uma das suas capas favoritas das suas próprias faixas por outros artistas.

Mais tardem em 1966, Elvis criaria também uma gravação caseira de “Blowin’ In The Wind”, que acabaria por ver a luz do dia no especial lançado postumamente Platinum – A Life In Music em 1997.

Supostamente, a faixa do álbum New Morning, ‘”Went to See the Gypsy” é sobre um encontro que teve com o seu herói de infância. Também há rumores de que ele tentou gravar um álbum de tributo ao Elvis mas, pensando melhor, decidiu abandonar após gravar apenas as três faixas: ‘Lawdy Miss Clawdy’, ‘Money Honey’ e ‘Anyway You Want Me’.

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As duas mentes brilhantes quase fizeram uma colaboração musical, mas infelizmente a parceria não chegou a acontecer. Dylan e George Harrison se encontraram com Elvis após um show no Madison Square Garden, em 1972, e o Rei estava convencido que o trio deveria gravar junto. Mas, por razões ainda desconhecidas, Dylan e Harrison negaram.

Após a morte do Rei, Dylan repensou a decisão e se arrependeu de ter decepcionado Elvis Presley. Na época da morte de Elvis Presley, Dylan havia acabado de passar por um tumultuoso divórcio e a perda do herói o fez se voltar para o cristianismo.

Ele estava em sua fazenda no Minnesota com seus filhos. E foi a professora de arte deles, Faridi McFree, quem lhe deu a notícia que o abalou até o seu âmago.

O cantor-compositor relembrou mais tarde o que passou pela sua cabeça quando descobriu que Elvis havia morrido: “Revi toda a minha vida. Revi toda a minha infância”. “Não falei com ninguém durante uma semana após a morte de Elvis. Se não fosse por Elvis e Hank Williams, não poderia estar fazendo o que faço hoje”.

Os anos que se seguiram foram um período negro na vida de Dylan, pois ele passou um longo tempo na estrada para pagar dívidas que havia acumulado graças ao seu estilo de vida glamoroso e ao dispendioso divórcio.

A morte de Elvis talvez tenha sido um lembrete de sua própria mortalidade e da consciência de que a vida é fugaz, que pode ser arrancada num abrir e fechar de olhos. Provavelmente foi por isso que a morte abalou tanto Dylan.

Ouça “Tomorrow Is A Long Time” na voz de Elvis: