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A cantora baiana Ivete Sangalo (FOTO: Reprodução)

Uma polêmica abalou o mundo do axé nessa semana. O ator Maicon Rodrigues criticou a forma com que Ivete Sangalo e Claudia Leitte “exploram a cultura afro-brasileira” e ganham dinheiro com isso, enquanto artistas negras como Margareth Menezes não alcançam o mesmo patamar.

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Mas, durante uma live de Margareth no Youtube neste sábado (01), Ivete apareceu mandando um recado para a cantora: “Assistindo essa mulher tão poderosa, tão maravilhosa, que sou fã… Ter a oportunidade de ter a sua amizade na minha vida. A gente sabe que a gente se ama, e toda vez que a gente se encontra é maravilhoso”.

Emocionada, Margareth Menezes respondeu: “Ivetinha, eu agradeço muito suas palavras. Nós sabemos, você sabe, e eu sei também, como sempre foi e sempre será nossa relação. Graças a Deus, a gente nasceu na Bahia, esse ambiente que nos alimenta. É nossa musicalidade e é de qualquer um que tenha respeito a ela, e que represente de coração seu símbolo da Bahia”.

Maicon Rodrigues, Margareth Menezes, Claudia Leitte e Ivete Sangalo (FOTO: Reprodução)

Margareth Menezes possuiu 11 álbuns de estúdio, 5 álbuns ao vivo, já vendeu mais de 20 mil cópias nos Estados Unidos, Suíça e França, além de ter 1 indicação ao Grammy Latino e 3 indicações ao Grammy Awards.

Em conversa com a atriz Tais Araujo, Ivete Sangalo já havia se pronunciado sobre ser mais famosa que Margareth: “É um absurdo, é uma loucura”.

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Quando uma pergunta tem fundamento ecoa e a resposta também. Tenho por Ivete Sangalo (@iveteSangalo) profundo respeito, adoro ela e isso não vem de agora. Desde o começo antes dela entrar para a banda Eva, quando ela fez uma apresentação na área verde do Othon. Ivetinha cantava na noite acompanhada por Saul Barbosa e outros violonistas, ela sempre me tratou como maior carinho e alegria brincando com minha timidez. Ela é uma baiana da gema com uma expressão autêntica que conquistou com o seu talento e carisma o coração da gente.  A pergunta que a querida Taís Araújo (@taisdeverdade) fez a Ivete, ressoou e continuará ressoando, porque não é uma questão de negar as conquistas das pessoas, mas traz para a discussão uma prática perversa da indústria musical da e cultural da Bahia e do Brasil. Por que na terra que tem tantos artistas negros de talento e qualidades inegáveis os espaços de projeção não nos contempla? Por que em todas as raras vezes que estamos contemplados não acham que devem nos pagar dentro de um valor equivalente ao nosso legado?. É claro que é um assunto complexo e delicado, não estamos questionando as conquistas alheias e sim, a forma como a indústria trata os artistas negros nos cenários da música popular.  Em todos os estilos da MPB existe esse recorte racial perverso e o que estamos buscando é o equilíbrio justo e necessário. Se a arte afro brasileira fortemente é usada para rotular a identidade da cultura nacional, desde a culinária até as expressões artísticas, precisamos também colher os frutos e os benefícios.  O que já foi, já foi. Agora está nas nossas mãos lutar e agir para remodelar esse formato identificando, mostrando e questionando de forma clara e objetiva essas práticas espúrias que só nos traz sofrimentos e injustiça. A minha geração de artistas negros da Bahia, construiu um legado sem precedentes para o mercado da indústria musical brasileira, isso é um fato. Em especial com o advento do samba reggae trazidos pelas e suas diversas claves rítmicas, melódicas e refrões eternizados na memória popular e renovando a música pop brasileira.

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