gusttavo lima
O cantor mineiro Gusttavo Lima (FOTO: Divulgação)

Depois de explorar o consumo de álcool em suas lives, nesta terça-feira (dia 14) o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) abriu uma representação ética contra ações publicitárias exibidas nas transmissões de shows virtuais do cantor. As propagandas seriam de responsabilidade de Gusttavo Lima e também da Ambev e foram inseridas em dois eventos digitais: na ‘Live Gusttavo Lima – Buteco em Casa’ e na ‘Buteco Bohemia em Casa’, veiculadas nas redes sociais do astro mineiro.

A representação foi aberta a partir de diversas denúncias recebidas de dezenas de consumidores, que consideraram que as ações publicitárias precisam de maiores cuidados seguindo recomendações do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária para a publicidade de bebidas alcoólicas. O Conar aponta uma falta de restrição de acesso ao conteúdo das lives por parte de menores de idade e o consumo excessivo de cerveja, podendo colaborar para um potencial estímulo ao consumo irresponsável da bebida.

Segundo o comunicado do órgão fiscalizador, “a direção do Conar, ao acolher a denúncia dos consumidores, destacou o formato inovador da comunicação publicitária para o momento vivido pelo país, mas considerou que ela deve ser conciliada com os princípios fundamentais da comunicação comercial do segmento, com a divulgação responsável de bebidas alcoólicas e sem fragilizar os cuidado para que não seja difundida ao crianças e adolescentes.”

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Segundo Eduardo Corrêa, responsável pela Comunicação do Conar, o órgão não pode tirar a live totalmente do ar, mas pode pedir alterações no vídeo compartilhado pelo canal oficial do cantor no YouTube. “O Conar não tem poder de polícia, não pode multar e não pode punir de forma criminal. Se as explicações das defesas forem aceitas, o Conselho de Ética ordenará que os trechos da live em que Gusttavo Lima faz propaganda sejam removidas”, explica.

O jornalista do Conar também defende que exista um distanciamento entre conteúdo e publicidade. “Um personagem que bebe demais em novela não é caso do Conar, mas se houver glamourização do consumo de uma bebida alcoólica específica, que esteja patrocinando a novela, aí vira nossa responsabilidade”, explica o funcionário. Numa nota divulgada à imprensa, a direção do Conar admite que a publicidade nas lives é algo novo para o regulamento do setor, mas considera que ela deve ser feita com parcimônia, sempre atrelada aos princípios fundamentais da comunicação comercial.

Gusttavo Lima e a Ambev possuem prazo para enviar suas defesas ao Conselho de Ética ou adaptarem de imediato o conteúdo publicitário das lives às regras éticas.