Beyoncé
A cantora norte-americana Beyoncé (FOTO: Reprodução)

“Eu não sou fã de Beyoncé, apesar de respeitar tudo o que ela representa. Ouço músicas em festas, mas realmente não é uma artista que me emociona”, assim começou o artigo da famosa filósofa Djamila Ribeiro sobre ‘BLACK IS KING’ de Beyoncé.

Djamila, em sua posição de mulher negra, resolveu falar sobre o projeto audiovisual da americana para o site Folha de São Paulo, muitas vezes fazendo referência ao polêmico artigo feito por Lilia Schwarcz.

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“Pelo título um tanto ofensivo reduzindo todo um trabalho à “estampa de oncinha”, como se desse a entender que a cantora é simplista. Tal opção do próprio caderno desta Folha foi uma escolha de título infeliz que decorreu da utilização pela autora da “estampa de oncinha” no corpo do texto, em um contexto pouco mais abrangente, embora ainda irrelevante”, escreveu a filósofa.

Ela ainda continuou: “Quanto à linha-fina —“diva pop precisa entender que a luta antirracista não se faz só com pompa, artifício hollywoodiano, brilho e cristal”—, há o emprego da ordem “precisa entender”, sendo que as pessoas negras historicamente “precisaram entender”. Soa um tanto quanto colonial. A linha-fina ainda traz a mensagem desrespeitosa ao determinar como se faz a luta antirracista”.

Beyoncé, Lilia Schwarcz e Djamila Ribeiro (FOTO: Reprodução)

“Gostaria de frisar que respeito o trabalho e a pessoa de Lilia, considerei importante a retratação e disse isso publicamente, apesar dos usos desonestos que fizeram disso. Em um mundo marcado por violências históricas com pessoas negras, não há problema em criar imagens positivas”.

“Logo, não há nada de errado em criar imagens poderosas, que nos façam, inclusive, sublimar a dor. E, sim, muitos jovens se identificam com essas imagens, presumir que não é somente uma questão de opinião”.

Como conclusão, a filosofa afirmou: “Beyoncé saiu da sala de jantar para pensar com diversos artistas uma criação potente. Inclusive, é um tanto problemático dizer a uma mulher negra que ela precisa sair da sala de jantar. Porque, historicamente, mulheres do grupo ao qual Beyoncé pertence nunca puderam sair desse lugar, desde as escravizadas até as milhões de empregadas domésticas que são forçadas a servir à branquitude.”

“Não é o caso da artista, uma mulher rica e mundialmente conhecida, mas é o caso da maioria do grupo do qual ela parte, de parte de um grupo que se sente representado por ela”, finalizou.

‘BLACK IS KING’ ainda não está disponível no Brasil por se tratar de um original Disney+. Mas no canal de Beyoncé no Youtube, é possível ver o clipe de ‘ALREADY’, que compõe o projeto.