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A legendária banda britânica The Beatles (FOTO: Reprodução)

Se você não acompanhou de perto a carreira dos Beatles, provavelmente, em algum momento da sua vida, você afirmou não gostar da banda.

Talvez durante uma fase rebelde na adolescência, ou porque você se recusou a acreditar no que todos diziam. Em algum momento de nossas vidas, todos nós afirmamos que o “Fab Four” ou “Os Quatro Fabulosos” estão ultrapassados. Essas afirmações, ditas como zombaria, possuem um fundo de verdade (os próprios Beatles já disseram na música “I Am The Walrus”).

Quando ouvimos pela primeira vez, a música parece um confuso delírio febril, com imagens caricatas e linguagem caleidoscópica, que lembra mais um pastiche de Monty Python.

Apesar de Lennon e McCartney estarem creditados como compositores da canção, ela foi escrita exclusivamente por Lennon. Lançada como um Side-B de ‘Hello, Goodbye’, a faixa se tornou sinônimo dos dias mais selvagens do quarteto e é frequentemente citada como uma confusa e pulsante imersão ao uso de LCD por parte dos Beatles.

Mas, na verdade, a música faz referência à época em que Lennon estava na escola e a um suposto encontro sexual com Eric Burdon, de The Animals.

The Beatles posing for Borge, London
Foto: Reprodução

A música, apresentada no LP Magical Mystery Tour dos Beatles foi inspirada em um poema de Lewis Carroll. A canção discorre sobre o encontro entre o carpinteiro e Walrus, uma alegoria ao socialismo que Lennon interpretou através de uma série de sonhos repletos de ácido. “A primeira linha foi escrita numa viagem ácida num fim-de-semana”, disse Lennon a David Sheff em 1980. “A segunda linha foi escrita na viagem ácida seguinte, no fim-de-semana seguinte, e foi completada depois de conhecer Yoko… Tinha visto Allen Ginsberg e algumas outras pessoas que gostavam de Dylan e Jesus conversando sobre Hare Krishna. Era Ginsberg, em particular, a quem eu me referia. As palavras ‘Element’ry penguin’ significam que é ingênuo sair por aí entoando Hare Krishna ou colocar toda a sua fé num só ídolo”.

Lennon confirmou que retirou o personagem de “Walrus” do poema de Lewis Caroll ‘The Walrus and The Carpenter’, mas ao construir o seu hino confuso, não havia percebido que Walrus era vilão da peça. “Pensei, Oh, merda, escolhi o cara errado”, disse ele, antes de acrescentar: “Eu devia ter dito: ‘Eu sou o carpinteiro’. Mas não teria sido a mesma coisa, não é? (ri ao cantar): ‘Eu sou o carpinteiro'”. A música faz referência a dois dos maiores personagens da história, mas faltou um – o homem dos ovos.

Há duas suposições principais sobre quem poderia ser o ‘homem dos ovos’. Uma é simplesmente apontada como outra referência a Lewis Caroll e, em particular, a Humpty Dumpty que figura no livro “Alice no País das Maravilhas”. É verdade que Lennon era um grande fã do livro e, durante esta fase da sua carreira de compositor, era fortemente influenciado pelas imagens psicodélicas do livro. Mas ainda assim, não parece completamente certo pensarmos em referência tão distante. A outra opção é proibida para menores de idade.

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De acordo com muitos relatórios, Eric Burdon contou a Lennon uma história particularmente sórdida que envolvia Burdon receber ‘fellatio’ numa circunstância peculiar. A mulher em questão, oriunda da Jamaica, rachou um ovo no estômago de Burdon e atirou-se no integrante de The Animals. Foi uma história obscena que chamaria a atenção de Lennon e marcaria Burdon ‘The Egg Man’ para sempre. Embora não possamos ter a certeza sobre a legitimidade de toda a história, ou se de fato inspirou Lennon, mas podemos ter a certeza de que acrescenta mais um fio à encantadora faixa “I Am The Walrus”.

Uma canção que pode parecer tão indelicada, quando não é escolhida, torna-se uma das maiores canções que a banda alguma vez compôs. Se essa não é a essência dos The Beatles, então não sabemos o que é.

Portanto, está tentando combater o fascínio pelos Fab Four ao citar músicas bobas deles, não pense em falar de ‘I Am The Walrus’, para que você não faça o papel de bobo.

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