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O cantor norte-americano Michael Jackson (FOTO: Reprodução)

A filha de Michael Jakcosn continuou a dar aos fãs um olhar franco sobre a sua vida pessoal no segundo episódio de sua série do Facebook Watch, “Unfiltered”: Paris Jackson e Gabriel Glenn”. Intitulado “Trauma Partners?”, o episódio mergulhou na história da artista de 22 anos enquanto ela se preparava para a sua estreia na passarela num evento de Jean Paul Gaultier, em Paris, no início deste ano.

Dizendo que ela própria “não está sequer perto de se amar”, Jackson disse que tem estado consciente e insegura sobre a sua aparência durante anos – mesmo quando era apenas uma criança antes da morte do seu pai Michael Jackson.

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Eu era a única garota de 4 rapazes”, disse ela. “Por eu ser a única menina, o meu pai adorava brincar de vestir-me. Parecia uma boneca de porcelana e odiava”. Paris reconheceu que não se parece com o resto da família Jackson com o seu cabelo loiro e olhos claros – chamando-se a si própria de “muito ariana” e parecendo que “fugiu da Finlândia”.

A sua família, contudo, “nunca lhe fez sentir excluída por causa disso, o que é bom, embora eu sempre me tenha sentido como a ovelha negra”. Ela acrescentou que, à medida que foi envelhecendo, todos eles “fizeram um esforço para ela nunca se sentir excluída”.

Quando o seu pai morreu, Paris tinha apenas 11 anos — e a sua morte significou que ela teve de deixar de viver um estilo de vida relativamente saudável com o seu pai, para uma casa “sem regras” com a avó Katherine Jackson. Como sua nova casa estava sempre cheia de “soda e bolo”, Paris disse que ela “ganhou muito peso e a comida tornou-se um vício”.

Uma prima chamou-me gorda e eu fiquei tipo, tudo bem, então não posso mais fazer isso, e foi assim que caí em auto-flagelação”, revelou ela. “Eu me cortava e me queimava. Nunca pensei que morreria porque era eu quem controlava a lâmina de barbear. Eu sabia quão fundo eu estava indo”.

Dizendo que parte do fascínio pelo auto-flagelo era a libertação de dopamina que vinha com os próprios ferimentos, Jackson também disse que os cortes eram uma “distração da dor emocional” e uma forma de transformar “uma dor física” na necessidade de controle. Paris ainda confessou: “Sim, tentei matar-me muitas vezes”.

Após uma tentativa de suicídio, a jovem teve de entrar numa clínica psiquiátrica em Utah – onde passou o segundo ano e meio do seu ano do colegial. “Já não aguentava mais. Não tive escolha“, disse ela sobre frequentar a escola. “Eu era menor de idade, o CPS disse que me aceitariam se eu não fosse enviada para lá. Aprendi muito sobre mim. Os problemas com os quais me internei foram resolvidos, mas saí com muito mais do que entrei”.

Nos anos que se seguiram, Jackson disse ter tomado antidepressivos e estabilizadores de humor – mas acrescentou, que “pessoalmente, não é fã de medicamentos”. Ela acrescentou que, na sua experiência, eles “apenas escureceram o seu terceiro olho” e que ela não podia mais rir tão profundamente, concluindo que “não se pode entorpecer o mau sem entorpecer o bom”.

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A filha de Michael Jackson explicou que sua depressão “vem em ondas”, e apesar das “crises serem insuportavelmente fracas, ela ainda preferia isso a nada”. Acrescentou ainda que “a dor é muito melhor do que apenas se drogar, porque pelo menos estás a sentir alguma coisa”.

Falando mais sobre imagem corporal e auto-aceitação, Jackson disse que quer fazer parte dos movimentos para “mudar os modelos de beleza” quando se trata de inclusividade no mundo da moda. Também admitiu encaixar-se ela própria no “modelo estereotipado, padrão”, mesmo que tenha dúvidas sobre sua própria aparência.

“Quando entrei no mundo da moda pela primeira vez, não compreendi que não podia ser eu própria o tempo todo e ainda tenho dificuldade em aceitar a mim mesma”, explicou ela. “Quero influenciar a auto aceitação e a coragem de estar confortável na sua própria pele. Estou apenas a trabalhar no conteúdo, apenas tentando ficar satisfeito. Passos de bebê. O amor-próprio é difícil”.

Ainda neste episódio, o namorado dela e colega de banda, Gabriel também se abriu sobre o seu próprio passado – dizendo que também tem cicatrizes de auto-flagelação e também tentou suicidar-se. Como Paris, ele admitiu que há partes dele que ama, e outras sobre as quais está inseguro — além de revelar que também lutou contra a ansiedade.

No fim de junho, a filha de Michael Jackson, lançou em parceria com Gabriel Glenn um novo EP, intitulado “The Soundflowers”, que é o mesmo nome de sua banda. Confira o primeiro clipe do grupo abaixo e seu primeiro EP:

Suicídio

O suicídio é considerado pelo Ministério da Saúde como um problema de saúde pública, complexo, multifacetado e de múltiplas determinações, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero.

Todos os anos, cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio no mundo, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde). No Brasil, uma pessoa morre por suicídio a cada hora, enquanto outras três tentaram se matar sem sucesso no mesmo período.

O assunto é tão complexo que muitas pessoas evitam falar a respeito, o que nem sempre é a melhor decisão. Um problema dessa magnitude não pode ser negligenciado, pois sabe-se que o suicídio pode ser prevenido. Uma comunicação correta, responsável e ética é uma ferramenta importante para evitar o efeito contágio.