gusttavo lima
O cantor mineiro Gusttavo Lima (FOTO: Reprodução)

O cantor Gusttavo Lima acaba de receber uma condecoração na Embaixada da República Dominicana. Na cerimônia, ocorrida em Brasília (DF), na última quinta-feira (29), o artista foi homenageado pelas relevantes contribuições à difusão, no Brasil e no exterior, do ritmo dominicano “bachata”, declarado recentemente Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.

O embaixador da República Dominicana no Brasil, Alejandro Arias Zarzuela, realizou a entrega de uma placa de homenagem ao artista brasileiro na sede da Missão Diplomática, ressaltando o bem-sucedido trabalho musical do cantor.

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Senta que lá vem história ✍🏻 A homenagem que o Gusttavo recebeu é muito bacana e vai entrar num capítulo bem legal da história do sertanejo. Sempre que um ritmo passa a ter muita atenção dos sertanejos, como foi recentemente o arrocha, a bachata e agora a pisadinha, aparece gente torcendo o nariz. Na realidade, o sertanejo sempre foi marcado por influências, não é à toa que é um estilo musical que toca muito no país inteiro cada vez mais (justamente pq abre o leque pra praticamente todo o tipo de influência). Houve quem dissesse que Milionário e José Rico, na década de 1970, acabariam (!) com a música sertaneja (!). De fato, eles eram uma mistura do visual da jovem guarda (sacada do Léo Canhoto) com forte influência de música mexicana, que já estava no sertanejo desde a década anterior. Assim foi com o country, nos anos 1990, com os boleros, que nunca saíram de moda, e até mesmo com Zezé e Luciano regravando “Menina Veneno” em uma linguagem pop, antecipando o que aconteceria bons anos depois. A música sertaneja sempre aceitou influências. A música caipira mais raiz já era uma junção de características indígenas, europeias e africanas. Cornélio Pires, que bancou o primeiro disco sertanejo, em 1929, era fascinado nas diferenças que existiam até mesmo dentro da música caipira de uma região pra outra. A primeira vez que uma influência latina chocou nacionalmente foi no início da década de 1950, com Cascatinha e Inhana. As músicas “Índia” e “Meu primeiro amor” eram guarânias paraguaias que ganharam versão do compositor (e também cantor) José Fortuna. Extrapolaram qualquer barreira de sucesso do sertanejo/caipira e viraram clássicos da música brasileira, regravados por artistas de diversos gêneros (sobre guarânia, vale ler a história do Mário Zan com o gênero). Em um estilo musical que trabalha pra ser o mais ouvido, quem manda é sempre o público, então é ele historicamente que decide se uma influência “já cansou” ou se tem muita estrada ainda pela frente. #musicasertaneja

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Durante o evento, foi valorizada, de forma especial, a inclusão do ritmo originário da República Dominicana, que tem se consolidado como um dos gêneros latino-americanos de maior sucesso no mundo, pelo cantor brasileiro Gusttavo Lima, sendo o principal promotor no Brasil da bachata, através de várias das suas reconhecidas produções musicais.

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Gusttavo Lima conheceu a bachata em 2011, durante uma turnê nos Estados Unidos. Sete anos depois, resolveu inovar, trazendo elementos do gênero caribenho para a música sertaneja no DVD “O Embaixador – Ao vivo em Barretos” (gravado em 2018), em canções como “Cem Mil”, “Eu Não Iria” e “Por Covardia Minha”.

Em 2019, com o lançamento do sucesso “Milu” e a gravação do DVD “O Embaixador in Cariri”, a bachata promovida por Gusttavo Lima veio com força total, ganhando notoriedade e se tornando uma referência para diversos artistas dentro e fora da música sertaneja. Agora em 2020, o astro brasileiro segue apostando nas batidas do ritmo também no novo DVD “O Embaixador The Legacy”.

Vele destacar que “bachata” é uma expressão musical dançante, nascida na República Dominicana da fusão entre o ritmo “bolero” e outros gêneros musicais afro-antilhanos. Para o povo dominicano, a música e dança da “bachata” são expressões culturais sempre presentes nas celebrações comunitárias e encontros sociais em todo o país.

O embaixador da República Dominicana no Brasil, Alejandro Arias Zarzuela, e o cantor Gusttavo Lima durante a cerimônia realizada em Brasília (FOTO: Divulgação/Augusto Albuquerque)