Bob Dylan (Reprodução: Internet)

No dia 24 de maio de 1941 nascia Bob Dylan, um dos maiores nomes da música norte-americana. Ele é o artista norte-americano que mais desequilibrou as estruturas da cultura de seu país, sempre atingindo crítica e público de maneiras inesperadas e brilhantes, contrariando expectativas enquanto reúne cada vez mais fãs, admiradores do seu trabalho.

Nascido no interior dos Estados Unidos e apaixonado por rock’n’roll, foi para Nova York motivado pelo movimento folk, cujas matizes políticas e sonoridade crua o encantaram no final da adolescência. Reinventou-se pela primeira vez usando o prenome do poeta Dylan Thomas como sobrenome e passou a frequentar a boemia nova-iorquina armado apenas com seu violão. Passou a chamar atenção da intelectualidade nova-iorquina que se reunia para ouvi-lo sozinho com o violão pelos bares do bairro do Village. Em 1961, se consolidou como principal nome daquela cena folk, mas toda a adulação começou a tirar sua paciência.

Bob Dylan foi considerado um 'herege' por compor usando uma guitarra elétrica / Foto: Getty Images

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Sua moral aumentou ainda mais quando desviou o foco para canções de protesto no início da guerra fria entre EUA e URSS, no começo dos anos 1960. Cortou-a abruptamente após apresentar maconha para os Beatles, em 1964, e começar a compor com uma guitarra elétrica, uma heresia para seus fãs da cena folk. Ao ver a geração dos Beatles invadindo os Estados Unidos inspirados pelos roqueiros e blueseiros norte-americanos, que Dylan ouvia desde a infância, ele preparou uma resposta à altura ao lançar o disco “Bringing It All Back Home” (que pode ser traduzido como “trazendo tudo de volta pra casa“), em 1965.

Astro é o único ser humano vivo a vencer os prêmios Grammy, Oscar, Pulitzer, Globo de Ouro e Nobel / Foto: Getty Images

A trilogia de discos inaugurada por “Bringing…” — que seguiu por “Highway 61 Revisited” (1965) e “Blonde on Blonde” (1966), o primeiro disco duplo da história, fez Dylan como o maior nome da geração rock dos Estados Unidos nos anos 1960, farol para os outros artistas, sempre se contradizendo como se quisesse reforçar para que ninguém o seguisse. A partir de 1988 batizou seus shows de “Never Ending Tour” e é conhecido por mudar letras e melodias de canções clássicas, para desgosto dos admiradores de ocasião e deleite dos fãs ferrenhos, que catalogam suas apresentações ao vivo como se pudessem registrar os movimentos de um Da Vinci contemporâneo.

Bob Dylan durante apresentação no Grammy, em 2012 / Foto: Getty Images

Desde os anos 1960, Dylan flertou com o country, o gospel, a música pop, escreveu livros e atuou em filmes, fez trilhas sonoras e gravou discos com canções alheias, sempre reforçando a enorme contradição norte-americana, o sonho americano dissecado com uma lâmina nada agradável, mostrando a violência e o sofrimento por trás dos rostos sorridentes na foto. Foi o primeiro artista a ser pirateado em disco e o primeiro a ganhar dinheiro em cima de sua própria pirataria, ao oficializar estes discos na sequência “Bootleg Series“, que já está no décimo quarto volume.

Único ser vivo a vencer os prêmios GrammyOscarPulitzerGlobo de Ouro e Nobel, Bob Dylan segue sua carreira firme e forte, lançando discos e livros, e sempre contrariando as expectativas, frustrando uns e maravilhando outros.