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A cantora norte-americana Madonna (FOTO: Reprodução)

Madonna foi uma das artistas mais progressistas e transgressoras na música pop. Quebrando diversos tabus em suas obras audiovisuais, a Rainha do Pop não temia nada e nem ninguém – nem mesmo a Igreja.

Nos anos 80, a artista lançou a icônica Like a Prayer – primeiro single do álbum de mesmo nome. E o conteúdo presente na obra não agradou as mentes mais conservadoras.

Como uma forma de dar voz para grupos minorizados pela sociedade, a cantora usou iconografia religiosa, cenas de estupro, queimou cruzes, e um dos atos mais polêmicos do vídeo – acredite se quiser -, foi a presença de um santo negro.

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A letra da música diz: “Quando você chama meu nome é como uma pequena oração, estou de joelhos, eu quero levá-lo lá. À meia-noite posso sentir seu poder, igual a uma oração, você sabe que o levarei lá”.

Em postagem feita 30 anos após o lançamento da obra, Madonna disse: “30 anos atrás eu lancei Like a Prayer e fiz um vídeo que causou muita controvérsia porque eu beijei um santo negro e dancei em frente de cruzes pegando fogo”.

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“Eu também fiz um comercial para a Pepsi que foi banido porque o vídeo foi visto como inapropriado. Parabéns para mim e para a controvérsia!”.

O comercial citado pela cantora foi lançado um pouco antes do clipe e trazia a música com trilha sonora. O clipe apresentava duas “Madonnas”: uma adulta, e uma criança que a via na televisão. Apesar de ter sido transmitido simultaneamente em 40 países e não ter nada de diferente, foi banido.

Estimasse que a cantora recebeu mais de 5 milhões de dólares para estrelar três comerciais para a marca de refrigerante, mas os outros dois nem chegaram a ser transmitidos. O contrato com Madonna foi desfeito após pressão do Vaticano.

Hoje em dia – mais de 30 anos após o lançamento -, o clipe possuiu mais de 130 milhões de visualizações no Youtube, mesmo sendo colocado na plataforma apenas em 2009.

Nas plataformas de áudio (como Spotify, Apple Music, Deezer, TIDAL…), a canção já ultrapass as 200 milhões de reproduções.

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O jornalista Toby Creswell escreveu em seu livro 1001 Músicas: As Melhores Músicas e Artistas de Todos os Tempo, Histórias e Segredos Por Trás Delas que “‘Like a Prayer’ é um número devocional “muito bem trabalhado disfarçado de pop perfeito. Deus é a caixa de ritmos aqui”.

O teólogo Andrew Greeley comparou a obra à música aos hinos presentes no livro religioso hebraico Cântico dos Cânticos. Embora tenha se concentrado mais no vídeo, Greeley reconheceu o fato de que a paixão sexual pode ser reveladora, e prezou a estadunidense por glorificar ideologias da subjetividade feminina e da feminilidade na faixa.

A Slant Magazine disse: “‘Like a Prayer’ sobe às alturas como nenhuma outra canção pop lançada antes — ou depois dela. Assim como muitas outras do álbum, a sua produção brilhante dá lugar a um poder além dos sons de estúdio, e não é mera coincidência se sua reverência como a de corais parece uma experiência religiosa”.