O grupo Haikaiss acabou de estrear no Rock in Rio e já se prepara para um novo show no Lollapalooza ao lado de Ludmilla, Filipe Ret, WC NO BEAT e Kevin O Chris. Esta mistura acontecerá em abril no Autodromo de Interlagos onde Travis Scott será o grande nome da noite. Em entrevista ao Observatório de Música, o rapper Pedro Qualy e Jonas Bento do hit “Rap Lord” jogaram a real sobre o mercado nacional para o rap e deram seus pitacos sobre o 150BPM e o TRAP – ritmos que mais crescem no Brasil. 

– Pedro, vocês participaram do Rock in Rio pela primeira vez neste ano, como foi essa experiência pra você ?  O que o Rock in Rio representa para você como artista ?

PEDRO QUALY: O Rock in Rio foi muito importante pra gente.  O Rock in Rio era o festival que faltava na nossa lista, nós já participamos de enormes festivais pelo Brasil e sempre fomos bem recebidos e no RiR também não foi diferente. A gente conseguiu fazer um puta se um showzão pra galera. O Rock in Rio significa demais pra muita gente, é um grande passo!

– Em 2017 vocês fizeram parte do Lollapalooza e acabam de ser confirmados na edição de 2020 do festival, quais são as diferenças entre estes festivais ?  Você acredita que no Lollapalooza os artistas cconsigam se expressar de forma mais “real” a sua arte? Até porque o festival é conhecido por suas atrações alternativas, você enxerga isso?

PEDRO QUALY: Eu acredito que em todos os festivais a gente consegue se expressar de forma real. Não há uma censura ou palavras proibidas, sabe. Nesse quesito, eu não tenho sardinha pra puxar pro lado de só um não. Os festivais são incríveis pela conexão com os fãs e com os demais artistas. Estar num festival é sempre glorioso pro Haikaiss!

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– WC no Beat, Ludmilla, Kevin o Chris, Ret, PK e Felp 22. Como aconteceu essa união? De quem veio a ideia e o que é que todos vocês possuem em comum ou acredita que as diferenças sejam o motivo deste show acontecer ?  O que vocês já sabem sobre a performance no Lollapalooza e podem nos contar?       

Jonas Bento: Eu acho que o grande organizador deste encontro é o WC, mesmo. A amizade que nós temos há alguns anos já, nos ajudou muito. Nós nos conhecemos em Vitória e eu acho que o diferencial vai ser a mistura de personalidades e ritmos. A conexão da galera com o WC de orador vai ser o maior tira gosto desse Lollapalooza 2020!

“Tudo Bem” fora o ultimo single solo de Jonas Bento.

– Você e Jonas Bento veem fazendo alguns shows solo em casas de show, vocês já pensaram nem lançar um projetos paralelos?

PEDRO QUALY: Projeto paralelo nós não temos ideias porque o Haikaiss ocupa todo o nosso tempo, a gente grava e escreve pro Haikaiss. Toda a nossa criatividade é destinada ao grupo e no momento ao novo álbum, o “Aquário”. Mas show a gente faz junto sempre porque nós temos um formato de show compacto e diferente do que fazemos em grupo e a gente gosta demais de apresentar ele. Então assim, sempre que sobra tempo a gente gosta de fazer um baguncinha juntos!


No último single do Haikaiss, “Gangorra”, o boombap do grupo ganha referências do trap com beats da faixa “Plaqtudum”, do Recayd Mob. A inspiração é uma homenagem ao sucesso dos amigos lançado há um ano, que entrou para a história do rap nacional e já conta com mais de 75 milhões de visualizações no YouTube.  

– O funk 150BPM vem dando uma nova cara ao funk, dentro do rap e hip hop, qual é a batida mais usada e que vocês acreditam ser a responsável pelo crescimento do ritmo entre os jovens ? 

JONAS BENTO: A vertente que mais cresce entre os jovens é o TRAP, essa vertente vem ganhando espaço no mercado nacional. Não digo que nasceu agora, mas está crescendo e caindo na graça de todos agora. Eu acho o trap está ficando grande e ganhando o público exatamente pelo fato de se assemelhar com a batida e o tambor do FUNK.   

– O rap em 2019 conquistou de vez estas grandes produções, por qual motivo você acredita que esta ascensão está acontecendo hoje ?  

QUALY: Eu acho que esta ascensão vem sendo construído há um bom tempo já, né. A galera já está antenada e hoje nós temos muito rappers solo e grupos. Tem uma galera se sustentando graças à música e evoluindo demais. Nós devemos muito aos percursores do ritmo. Graças a eles, nós estamos colhendo os frutos hoje.

– Dentro do rap ainda existe esta divisão do “habitat dos manos” e “quem faz rap pra rádio”? E de que forma vocês se enxergam dentro do mercado?


QUALY: Olha, a cada minuto que passa eu acredito que isso diminui. Eu acho que as pessoas estão de fato entendendo qual é o trabalho de um MC, do DJ, do rapper e de um grupo de rap. A ideia não é ficar segmentado só num canto. O legal é ser abrangente e ter música para todos os tipos de público. Eu acredito que essa parada já está se perdendo, no início essa divisão era amior e hoje, cada vez mais estamos agregados.