ludmilla
A cantora fluminense Anitta (FOTO: Reprodução)

No último sábado (29), foi comemorado o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. E para relembrar as lutas e conquistas deste grupo, a cantora Ludmilla surpreendeu ao revelar que se sentia insegura e medo da mãe antes de assumir a sexualidade.

A revista Vogue publicou uma matéria especial com Ludmilla. Na reportagem, a funkeira carioca contou quando descobriu que gostava de mulheres, medo de contar para a mãe, e também falou sobre seu casamento com a bailarina Brunna Gonçalves que, para ela, é mais do que um ato político.

Ludmilla e Brunna Gonçalves
A cantora Ludmilla e sua esposa Brunna Gonçalves (FOTO: Reprodução)

Ela revela que descobriu que se atraia por mulheres ainda na escola, quando tinha 16 anos. “Soube que uma amiga beijou uma menina. Eu fiquei olhando pra essa garota e passei a vê-la diferente. Foi simples assim. Como é pra qualquer ser humano quando se descobre tendo atração por outra pessoa”.

E fala do medo: “Eu era uma menina da Baixada e sentia muito medo da minha mãe. Na real, eu já achava que ela tinha descoberto. Foi sinistro. Mas o tempo cura os medos e prova pra gente que ser quem a gente é, sempre é melhor, não é?”.

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A cantora fluminense Anitta (FOTO: Reprodução)

Ludmilla também diz que ficou surpresa com a reação do público após assumir publicamente sua relação com Brunna.

A crítica a uma mulher preta como eu sempre existiu. Também tinha essa crítica pelo meu jeito de me vestir, pelas minhas atitudes. Então, de alguma forma, eu esperava mais críticas e achei que meus fãs pudessem não entender. E foi uma surpresa foda! Com os meus fãs eu entendo todo dia o poder de ser transparente. Isso me faz crescer e experimentar a liberdade. E liberdade e respeito é algo que toda lésbica quer. Eu me orgulho de ser cada dia mais transparente comigo e com meu público”, disse.

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Aceitar minha condição sexual e me reconhecer como mulher negra são duas coisas que me transformaram real. Eu sei que inspiro e espero poder fazer mais, porque isso é o que chamamos de representatividade. Eu sempre fui uma mulher negra. E existir e fazer sucesso como mulher negra já é uma afronta nesse país”, comentou. “Como mulher lésbica eu sei que também posso inspirar as pessoas. Mas cara, mais que um ato político, falar sobre o meu casamento é falar sobre amor, entende? Pode parecer bobo, mas falar de amor nos dias de hoje também é sobre ter coragem. Pode acreditar!”, declarou.

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A cantora fluminense Ludmilla (FOTO: Reprodução)

A cantora também analisou o fato de ser lésbica no universo do funk e o machismo enraizado na cultura. “O funk em sua maioria é masculino. Muitas mulheres vêm quebrando essa barreira e fico feliz de ver e participar disso. Fico feliz de notar meu sucesso sabendo de onde eu vim. O funk fala sempre sobre liberdade e, por mais machista que ele possa ter sido, ainda é sobre liberdade. É sobre isso que canto e vivo. Que bom que hoje eu posso me expressar no funk abertamente, porque tem muita gente que vive sufocada com medo de gritar. Eu não poderia ser quem eu sou hoje se não pudesse me expressar até porque… não seria funk.”