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O cantor carioca Cazuza (FOTO: Reprodução)


O falecido cantor e compositor Cazuza que teria comemorado 62 anos de vida no último dia 4 de abril, era um artista de personalidade muito forte, que o fazia receber muitas críticas. Ele morreu no dia 07 de julho de 1990 por conta de complicações de Aids, deixando um legado de sucesso, com os hits: Exagerado, Codinome Beija-flor, Brasil e Faz Parte do Meu Show. Acompanhe abaixo alguns fatos polêmicos que marcaram a sua trajetória:

Ney Matogrosso e Cazuza / Reprodução: Internet

1. Revelou que tinha AIDS

Em 1987, quando nem se falava tanto sobre HVI e tinha muito preconceito sobre o tema, Cazuza revelou abertamente ter Aids, sendo a primeira celebridade Brasileira a assumir na época. Sua declaração ajudou muitas pessoas que tinham a doença, mas não sabia como lidar com a situação.

Mesmo com a enfermidade, o cantor continuou trabalhando, enquanto passava alguns dias nos Estados Unidos, procurando tratamento com AZT – única droga existente na época capaz de combater o vírus. Durante esse processo, lançou o álbum “Ideologia”, e realizou uma turnê no Brasil. Através deste projeto, recebeu o prêmio Prêmio Sharp de Música. 

2. A polêmica capa da Revista Veja 

Cazuza / Reprodução: Internet

Em 1989, o cantor saiu na capa da famosa revista. O título da matéria abalou os fãs e causou alvoroço. Falava: Cazuza: Uma vítima da Aids agoniza em praça pública. Em uma foto, o astro apareceu magro e sério. 

No doc Carta Para Além dos Muros, lançado no ano passado, o diretor André Canto mostra que o cantor e seus parentes não gostaram da reportagem na revista. João Araújo, pai de Cazuza, saiu de casa com o intuito de matar o jornalista responsável pelo material divulgado, afirma a mãe dele.

3. O horrível cuspe

No dia 18 de outubro de 1988 durante um show no Rio de Janeiro, Cazuza fez sua turnê, apresentando o álbum “Ideologia”, dirigido por Ney Matogrosso (com quem namorou).

Uma fã deu de presente para o cantor a bandeira nacional durante o show e ele se expressou, cuspindo na bandeira. O Brasil inteiro ficou chocado com a reação.

Cazuza com a Bandeira Nacional durante o show / Reprodução: Internet

A polêmica foi armada, e muitas celebridades se manifestaram contra o ato de Cazuza, O jornalista Humberto Saad Foi o que mais se manifestou, declarando que não admitiria tal ofensa a bandeira. Cazuza escreveu a seguir uma carta que contaria sua real razão por tal ato, e por estar debilitado pediu que seu pai, João Araújo se encarregasse de entrega-la a imprensa. João porém optou por mante-la em sigilo, para evitar o aumento da polêmica. Semanas depois da morte de Cazuza, João Araujo entregou enfim ao jornal o Globo a carta a seguir:

“Está havendo uma polêmica, um escândalo, como diz o JB de terça-feira, 18 de outubro, com o fato de eu ter cuspido na bandeira brasileira durante a música
Brasil no meu show de domingo no Canecão. Eu realmente cuspi na bandeira, e duas vezes. Não me arrependo. Sabia muito bem o que estava fazendo, depois que um ufanista me jogou a bandeira da platéia.
O senhor Humberto Saad declarou que eu não entendo o que é a bandeira brasileira, que ela não simboliza o poder mas a nossa história. Tudo bem, eu cuspo nessa história triste e patética.
Os jovens americanos queimavam sua bandeira em protesto contra a guerra do Vietnã, queimavam a bandeira de um país onde todos têm as mesmas oportunidades, onde não há impunidade e um presidente é deposto pelo ‘simples fato de ter escondido alguma coisa do povo.
Será que as pessoas não têm consciência de que o Vietnã é logo ali, na Amazônia, que as crianças índias são bombardeadas e assassinadas com os mesmos olhos puxados? Que a África do Sul é aqui, nesse apartheid disfarçado em democracia, onde mais de cinqüenta milhões de pessoas vivem à margem da Ordem e Progresso, analfabetos e famintos?
Eu sei muito bem o que é a bandeira do Brasil, me enrolei nela no Rock’n’Rio junto com uma multidão que acreditava que esse país podia realmente mudar.A bandeira de um país é o símbolo da nacionalidade para um povo.Vamos amá-la e respeitá-la no dia em que o que está escrito nela for uma realidade. Por enquanto, estamos esperando”.

4. Shows pouco sóbrias

Cazuza viveu intensamente cada momento de sua vida. Ele abusou na bebida alcóolica e consumia drogas, como cocaína. Quando ainda fazia parte da banda Barão Vermelho, não conseguia entrar no palco antes de usar alguma droga. 

Em 1985 ele saiu do grupo para investir na carreira solo. Permaneceu escrevendo suas poesias musicais, citando assuntos como preconceito e erotismo, causando grande polêmica na tradicional família dos anos 80 do Brasil.

Estátua no Rio de Janeiro em homenagem à Cazuza / Reprodução: Wikimedia Commons 

5. Brigas constantes

As constantes discussões rodeavam a banda Barão Vermelho que ficou muito incomodada com a postura de Cazuza. Entre brigas, discussões, a ideia seria ele seguir carreira solo mesmo.

O artista chegava em diversos ensaios do grupo bêbado e queria escolher em qual música trabalhar. O contrato assinado, consistia em gravar o quarto disco e rodar o Brasil com uma nova turnê, mas ele desistiu da mesma forma. Todo o grupo decidiu fazer uma reunião com Cazuza e o cantor saiu do Barão com o repertório dividido. Uma parte foi para o álbum “Exagerado” e o restante para “Declare Guerra” do Barão.

NOVO ÁLBUM DE CAZUZA

Projeto que vem sendo criado desde 2015, um disco somente com músicas inéditas feitas a partir de letras e poemas deixados por Cazuza deverá ser lançado ainda neste ano de 2020. O disco inédito e algumas ações serão planejados para comemorar os 30 anos da Fundação Viva Cazuza segundo informações do jornalista Mauro Ferreira.

O disco inédito deve contar com participações de cantores do calibre de Adriana Calcanhotto, Alcione, Baby do Brasil, Bebel Gilberto, Caetano Veloso, Carlinhos Brown, Leoni, Rogério Flausino, Seu Jorge, Silva e Wilson Sideral.