padre fabio de melo
O padre Fábio de Melo (FOTO: Reprodução)

Numa live realizada com o jornalista global André Trigueiro, o cantor e padre Fábio de Melo revelou que em 2017 passou por um colapso mental causado pela alta carga de trabalho e cogitou cometer suicídio. Porém, o religioso revelou que as suas plantas e os seus animais de estimação acabaram lhe salvando.

“Em 2017 eu estava fazendo muita coisa. Vivia viajando com a carga de trabalho que tinha e só vivia com malas na mão. Pra lá e pra cá. No entanto, eu não estava feliz, eu vivia cansado e sabia que eu não estava seguindo de fato o meu caminho. Desde a adolescência eu tinha tido ideias suicidas, mas isso não era recorrente. É impressionante o poder corrosivo que o sucesso tem, mas percebi que o meu caminho é mais pacato”.

Padre Fábio de Melo, que chegou a fazer nada menos que 25 shows por mês, então, acabou decidindo não fazer mais shows e deu mais detalhes sobre o assunto.

“Eu cheguei a ir ao arcebispo e pedi para sair da igreja. Porque eu não queria me matar como padre. Eu passei muito tempo me planejando para me matar. E o arcebispo foi como um pai para mim. Eu decidi me abrir. Sabe aquele versículo: “Conheça a verdade e a verdade o libertará?”. Então, eu decidi abrir ao público o que estava acontecendo comigo. Não era porque eu era um homem religioso que estava ileso disso”.

VEJA TAMBÉM: Eduardo Costa mostra arrependimento em apoio a Bolsonaro

O religioso declarou que passou a olhar em seu ambiente para não se matar: “Eu comecei a olhar pra minha casa, um lugar que eu quase não ficava e vi minhas plantinhas. Aí comecei a pensar: ‘Se eu não tiver aqui, quem cuidará das minhas plantinhas? E também olhava para os meus animais de estimação, o quão é genuíno o amor que eles oferecem a mim. Decidi continuar vivendo a partir dali“.

Padre Fábio de Melo também ressaltou que tinha muito preconceito sobre ir a um psiquiatra, mas isso acabou mudando a partir do momento que ele não encontrava mais ajuda apenas na espiritualidade.

“Há pessoas que se matam porque não tomam remédio. Quem me salvou não foi um padre, um guru espiritual, quem me salvou foi um médico. Eu tinha muito preconceito sobre tomar remédios, mas percebi que essa ideia estava ultrapassada demais. Foi isso que me ajudou a viver”.

Suicídio

O suicídio é considerado pelo Ministério da Saúde como um problema de saúde pública, complexo, multifacetado e de múltiplas determinações, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero.

Todos os anos, cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio no mundo, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde). No Brasil, uma pessoa morre por suicídio a cada hora, enquanto outras três tentaram se matar sem sucesso no mesmo período.

O assunto é tão complexo que muitas pessoas evitam falar a respeito, o que nem sempre é a melhor decisão. Um problema dessa magnitude não pode ser negligenciado, pois sabe-se que o suicídio pode ser prevenido. Uma comunicação correta, responsável e ética é uma ferramenta importante para evitar o efeito contágio.

Centro de Valorização da Vida

Uma das entidades que ajuda pessoas com pensamentos tristes e depressivos é o Centro de Valorização da Vida, o CVV. A organização existe há anos graças ao trabalho voluntário de centenas de pessoas. O atendimento é gratuito e pode ser feito por telefone e internet. O telefone que tem cobertura para todo Brasil é 188.