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O pagodeiro Thiaguinho (FOTO: Reprodução)

Um mapa da produção musical da cultura brasileira traçado de conversa em conversa e eternizado em vídeos. É assim que o canal Papo de Música desenha seu caminho, se embrenhando na diversidade sonora, estética e social dessa grande terra brasilis.

Desde a sua estreia, em 2018, o canal apresenta  uma curadoria diversa e lá se vão 100 episódios. Em novembro, mês da consciência negra, a apresentadora Fabiane Pereira amplia essa proposta com conversas protagonizadas por artistas negros.

A programação já trouxe papos com Gilberto Gil e Luedji Luna e, agora, segue com um dos principais nomes do samba e do pagode: Thiaguinho, que, em outubro, lançou simultaneamente o disco ao vivo Tardezinha No Maraca e uma série documental sobre o último show da turnê registrada (assista aqui). Até o final do mês, ainda participam do canal: Teresa Cristina, Negra Li e Bia Ferreira.

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O cantor abordou temas como a influência de Belo, Alexandre Pires, Péricles e Salgadinho, falou sobre não enxergar divisões entre samba e pagode e refletiu sobre mudanças na sua realidade antes e depois de ficar conhecido. Se por um lado o amor pela música não mudou, por outro a responsabilidade cresceu acompanhando o sucesso do do artista.

Além do peso da responsabilidade, Thiaguinho destacou a satisfação de, hoje, ser motivo de inspiração para novas narrativas entre  a juventude. “A vida me mostrou que dá pra sonhar e dá pra realizar. É um grande sonho o que eu vivo”, destacou. O papel da representatividade de ídolos, inclusive, é algo em comum nas entrevistas deste mês.

Thiaguinho
(FOTO: Reprodução)

A rapper Negra Li, entrevistada do dia 17 de novembro, destacou a importância de figuras como Foxy Brown e Lil Kim no rap internacional. Entre figuras nacionais, ela relembrou o sentimento de ver Adriana Bombom na TV, no extinto Planeta Xuxa: “eu via a Bombom como uma esperança, porque Paquita não era possível ser. Quando a Bombom apareceu, fiquei feliz que pelo menos ela estava lá”. 

Destaque pelas lives diárias que iniciou em março, a cantora Teresa Cristina, convidada do dia 10 de novembro, comentou o impacto que foi causado em sua vida por situações de discriminação, em épocas onde a representatividade negra era ainda menor. “Eu ficava me escondendo porque lá no subconsciente entendia que, em algum momento, alguém viria falar algo que me ofendesse”, declara.

Carinhosamente conhecida como Tetê, ela também questionou a efetividade de leis antirracismo em vigor nos dias atuais. “O que é a lei antirracismo? É você poder proferir as piores palavras possíveis, pagar R$ 300 e sair?”, indagou. 

FOTO: Divulgação

Mesmo trazendo artistas com trabalhos e narrativas plurais o ano inteiro, Fabiane conta que não podia deixar o mês da consciência negra passar batido. “A música tem um poder de comunicar muito grande e, aqui no Brasil, tem até um papel educativo, então estou muito feliz de trazer esse conteúdo com nomes tão especiais”, ressalta a apresentadora.

Uma programação de lives dedicada ao tema também toma conta do quadro “De Frente com Fabi”, exibido às quintas, 19h, no Instagram de Fabiane Pereira (@afabianepereira). Tássia Reis e Amaro Freitas estão entre os próximos nomes que ela convida para um bate-papo.