zeze di camargo
Os cantores goianos Zezé Di Camargo e Luciano (FOTO: Reprodução)

Em uma entrevista à colunista Fábia Oliveira, Zezé Di Camargo falou sobre seu posicionamento politico e disse que os artistas precisam sim se posicionar. Ainda disse que apoia o atual governo e soltou: “Eu votaria novamente no Bolsonaro sem sombra de dúvidas”.

Mas também ressaltou que o presidente deveria ser mais polido e comenta a mania de perseguição do ocupante do Palácio do Planalto: “Acho que o Bolsonaro pensa que ainda está em campanha com uma mania de perseguição. Isso me preocupa muito“.

Você acha que o artista, que antes de qualquer coisa é cidadão brasileiro, tem que se posicionar sobre assuntos políticos importantes?

Eu acho que sim. Ser um artista não exime ninguém de ser um cidadão. Antes de qualquer coisa, você um cidadão que tem que exercer os seus deveres como cidadão e cobrar seus direitos também como cidadão. Os artistas tem que se posicionar, sim, e colocar a posição dele sem medo de errar.

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Artistas foram pressionados, no período de campanha, a se posicionarem. Hoje, 2 anos depois, qual a posição do Zezé di Camargo sobre o atual governo brasileiro?

Ninguém foi pressionado. Acredito que tiveram alguns artistas que tomaram um lado. Aquele ‘ele não’ foi uma coisa absurda, fizeram uma campanha ferrenha contra um candidato que não agradava uma certa classe artística e fizeram um corpo a corpo.” “A gente tem que ter muito cuidado nesses posicionamentos, porque nem sempre o povo concorda com aquilo que você está pensando e quando você coloca isso com muita força, tipo um cabo de guerra, como aconteceu com ‘ele não’, o que o cidadão pensa: ‘puxa… esses caras têm a vida boa, ganham muito dinheiro, são artistas, vivem bem, aparecem na televisão, a vida está fácil para eles’ e aí acabam virando contra. Eu sempre dizia quando via essas campanhas: ‘estão fortalecendo o candidato’. É como aquele ditado: quanto mais bate, mais forte fica.” “É bom lembrar que eu apoiei o governo da esquerda, apoiei o Lula e fiz até campanha porque acreditava na mudança da política, da estrutura, mas a gente não tem bola de cristal e não dá para adivinhar. A gente apóia acreditando que vai ser melhor para o Brasil e aí depois a gente tem uma surpresa desagradável. Enfim. Quando eu apoiei, fiz um vídeo e estava tranquilo e tinha a consciência de que seria o melhor para o Brasil. A situação no Brasil estava muito polarizada e eu achei que seria melhor para o Brasil no momento porque como estava não poderia continuar. A minha atitude não foi sob pressão. Foi de livre e espontânea vontade e não recebi nada. Foi muito tranquilo para mim.”

Acha que artistas evitam se posicionar com medo de represálias?

“...Eu votaria novamente no Bolsonaro sem sombra de dúvidas. Claro que não concordo com a maneira que ele tem de conduzir certos assuntos, a maneira como ele usa a sua comunicação. Acho que o grande defeito do Bolsonaro é não usar a comunicação direito. Ele é brusco para falar, tem aquele jeitão de capitão: bateu, levou. É claro que eu não quero esse Bolsonaro. Quero um Bolsonaro mais polido, que sabe que realmente ele é o presidente que o Brasil tem hoje. Acho que o Bolsonaro pensa que ainda está em campanha, com mania de perseguição. Isso me preocupa muito.”

Acredita que a Secretaria da Cultura não tem dado o socorro necessário a classe a qual representa durante esse período difícil da pandemia? Qual a sugestão que faria se pudesse aconselhar a atual secretária?

Sinceramente, eu não tenho conhecimento para responder com exatidão com respeito à secretaria da Cultura. Mesmo porque o nosso gênero musical independe de governo. Os artistas sertanejos vão lá, fazem os shows, recebem seu dinheiro e são privilegiados porque sempre tem muito público. Os artistas que mais dependem desse lado do governo são artistas que fazem teatro e cinema. São os produtores e aí eles fazem parte de uma classe que precisa ser olhada, precisa receber apoio.

Você tem estimativa, até o momento, de qual o seu prejuízo durante a pandemia? Você acha que se atitudes federais tivessem sido tomadas logo no começo da pandemia, esse prejuízo teria sido evitado?

“Zezé Di Camargo e Luciano, tínhamos gravado chamadas para 56 shows até agosto e esses shows já não existem mais. É um outro momento. Mas, é uma coisa que preocupa muito pouco a gente e não porque a gente tem grana, está rico. Pelo contrário! Não é nada disso, até porque temos muitas pessoas que trabalham com a gente, pessoas que vivem dos shows e a gente também, porque temos os nossos compromissos.

Você acredita que o isolamento social ou lockdown são necessários e ajudam na diminuição da propagação do vírus?

“Cada município tinha que ter a sua decisão. Quem realmente sabe o que acontece na sua cidade é o prefeito. Não pode ser uma ordem federal nem estadual.”…”Claro que São Paulo precisa ter uma atitude, o Rio de Janeiro precisa ter uma atitude, mas você não pode levar essas mesmas atitudes para uma cidadezinha do interior que o vírus não tem nem como chegar.”

Confira aqui toda a entrevista.