Ex-presidente da Sony Music afirma que Rouge salvou seu emprego e a empresa

Publicado em 31/07/2018 18:14
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O empresário Alexandre Schiavo, ex-presidente da Sony Music, assinou uma matéria especial para a revista Época, onde revelou os bastidores do lançamento de “Ragatanga” do Rouge no ano de 2002. Ninguém botava fé na canção – mas as cinco cantoras a adoraram desde a primeira vez que ouviram. Como se sabe, foi essa faixa que catapultou a carreira da girlband. “O Rouge salvou a empresa e meu emprego. Literalmente, quando todo mundo já me via como morto… Dizem que a música certa pode transformar tudo na carreira de um artista, de uma gravadora, e até a vida das pessoas. É o poder de transformação que ela ganha quando se torna hit. E foi um grande hit”, revela o ex-presidente no texto.

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De acordo com o empresário, houve bastante discussão até o lançamento do single e a canção não era unanimidade entre a equipe. Rick Bonadio, por exemplo, produtor musical do álbum do Rouge, considerava que “Ragatanga” não tinha nada a ver com o grupo. Já Elisabetta Zenatti, principal diretora do programa “Popstars”, também não aprovava a música.

“A Elisabeta entrou [no estúdio] e me deu um esporro: ‘como é que você para tudo e põe essa música? Que música é essa? Não tem nada a ver!’. Aí o Rick: ‘Schiavo, que p**** de música maluca’. Nunca me esqueci disso, o Rick assim para mim: ‘Alex, essa música não tem nada a ver com o grupo, não tem nada a ver com o disco. E também não tem um toque autoral delas. Então, a gente tem de realmente arranjar esse repertório’. Falei: ‘que grupo? que disco? O álbum ainda não foi lançado para o mercado! As pessoas nem sabem quem é o Rouge, ainda! É o que a gente quiser que seja”, relembra a história.

O empresário teve inclusive que viajar até a Argentina para se reunir com o produtor original do programa, que “bateu o martelo” aprovando que “Ragatanga” entrasse no álbum. Os demais integrantes da equipe tiveram que acatar a decisão. Mesmo com o potencial da canção, era inconcebível que “Ragatanga” saísse como primeiro single. A equipe acabou optando por “Não Dá Pra Resistir”, uma balada, que permaneceu pouco tempo nas rádios. O empresário desconfiava que “Não Dá Pra Resistir” não teria força suficiente no mercado musical e fez questão que a girlband gravasse dois clipes no curto intervalo de um dia.

“Eu já sabia, intuitivamente, que aquela não ia fazer diferença. (…) Mandei a baladinha para o pessoal de rádio. Aquela execução fria. Realmente, saiu a música, foi superbem, mas durou menos de duas semanas. As meninas estavam em vários programas no SBT, teve um boomzinho. Mas, para quem vendia mais de 100 mil, não era suficiente, e aquilo ia vender de 30 a 40 mil, nem pagava o investimento. A música começou a cair. Eu era dado como morto. Hora da última cartada na manga… vamos com ‘Ragatanga’. Para sair com ‘Ragatanga’, a rádio mais forte era a Jovem Pan, com o temível — todo mundo sabia dentro do mercado — Tutinha, Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, dono da rádio. Fui lá ter uma reunião com o homem. (…) Aí ele: ‘Vou tocar esse negócio uma semana, duas… depois vou tirar esse treco daqui!’. Tocou naquelas duas semanas e se alastrou para o Brasil inteiro. Num negócio que estava vendendo 30 mil, chegava o pessoal de vendas dizendo: ‘Tenho mais 50 de pedido… 50 mil’. Passavam quatro dias: ‘Não são mais 50, são 100 mil’. Começou a vender 200 mil por mês, chegou a 1 milhão de cópias” afirmou o empresário.

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